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O Vínculo e a relação humana

O Vínculo e a relação humana

Os dias atuais indicam que estamos passando por vivências complexas de relacionamentos. Somos inundados simultaneamente por informações instantâneas, individualistas, rasas e móveis. O consumo acelerado por produtos, serviços e conhecimento tornam muitas vezes a vida desconcertante, frustrante, desordenada e tomada por caos.

As relações tem se tornado frágeis devido à incumbência de atender as solicitações que a vida contemporânea impõe. Esquece-se do cuidar, do importar-se com o outro, de podermos compartilhar e cooperar para uma existência mais sadia em sociedade.

É daí que compreendemos que cada ser tem uma forma de vincular-se a partir de sua constituição e história afetiva passada, e ao saber disso, entendemos que a realidade é conflitante e atroz ao mesmo tempo que se mostra generosa e acolhedora.

Um sentimento extremamente importante neste momento é o amor. O amor é um processo que impulsiona a vida, estimulando a criação, a manutenção e o desenvolvimento dos vínculos. Este mesmo amor é regularmente dito de forma idealizada e romantizada, distorcendo a realidade frequentemente.

O amor na família diz respeito as interações afetivas, emocionais e físicas que ocorrem dentro dela. Incluem-se nestas experiências familiares as questões individuais, do grupo, as necessidades e experiências e também as frustrações e expectativas idealistas. O modelo de amor que é dado pela sociedade é simplista e reducionista, que traz comparações que subtraem e não abrangem a totalidade, distorcendo o que é o amor real.

O trabalho da Psicologia Clínica é promover saúde às pessoas, fomentando e auxiliando-as na reconstrução e reorganização de suas relações a partir delas próprias. É um trabalho de ressignificação particular dos vínculos, do amor e dos afetos.

O vínculo e o amor então manifestam-se diferentemente em cada pessoa. Alguns querem mostrar o amor, traduzindo literalmente o amor como uma forma de ação. Há aqueles que precisam de um compartilhamento, inclinam-se para incorporar o outro, fazer parte de sua vida e também aqueles que absorvem o amor através de suas experiências sensoriais e percepções, contidas no ambiente e no conhecimento que possuem e desejam.

É saudável ressaltar e compreender a particularidade de cada vínculo. Alguns precisam de mais distância, outros carecem de proximidade; podem ser mais calorosos, etc. Vale evidenciar que o vínculo é uma construção que passa por estágios: unidos e delimitados, separados e íntimos e por fim vinculados e interativos.

As primeiras experiências de vínculo ocorrem na relação do bebê com os cuidados iniciais. É ali que passam por suas primeiras situações de satisfação e atenção às suas necessidades básicas (amor, afeto, segurança e cuidado). Conforme continuam seu desenvolvimento ocorrem as adaptações do vínculo frente a nova realidade que se apresenta. Novos integrantes na família são incluídos e proporcionam novas formas de interação. Na adolescência além da família, alguns agrupamentos por afinidade surgem, criando e desenvolvendo os vínculos de conhecimento, reconhecimento, identidade e sexualidade.

Faz-se necessário neste momento compreender que vincular-se é uma forma de identificar no mundo e nas pessoas o que nos é comum e diferente, reconhecer nosso papel na sociedade e nos desenvolver-se a partir dessas experiências múltiplas e interconexas. Tudo ao mesmo tempo. O vínculo é um movimento particular de ir ao mundo e voltar para si.

Vincular então é a forma possível para cada indivíduo de dar e receber na relação. É a aproximação e o distanciamento, o calor ou a apatia, tudo na medida que o outro responde a nossa tentativa de vínculo.

É respeitável considerar que o vínculo não é automático. É um processo que inclui estranhamento, reconhecimento, identificação, experiência, interação e internalização dessas experiências e por último a significação destas relações.

Nesta compreensão da relação humana, complexa e múltipla, que o fortalecimento dos vínculos possa transformar vidas com o nosso toque de amor, afeto e respeito, mesclando as experiências e auxiliando a criação e desenvolvimento do ser humano. Que haja significado e que ele possa ser eternizado em pensamentos, conversas e ações. Que o medo e a fragilidade sejam transformados em cumplicidade e compreensão.

Carlos Eduardo Sanches

Psicólogo – CRP: 06/149006

4 Comentários

  1. Marta

    Li e amei seu texto, muito bem escrito e denota conhecimento e amor pelo ser humano

  2. Eliel Mendes Santana

    Que satisfação ao ler esse texto, escrito com tanta abrangência em pontos primordiais da vida e relacionamento humano… Parabéns pela publicação. Admirável!

  3. Carlos Eduardo Sanches

    Olá Eliel!

    Ficamos gratos pelo seu comentário!

  4. Carlos Eduardo Sanches

    Oi Marta!

    Ficamos agradecidos pelo seu comentário!

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